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XIII Encontro Nacional da Família Vicentina

XIII Encontro Nacional da Família Vicentina - FAVIBRA

Jaboatão dos Guararapes - PE - 2014
113 participantes

"A Mudança é possível!"
1. Estratégias voltadas para a Missão
2. Estratégias voltadas para as Pessoas
3. Estratégias voltadas para as Tarefas
4. Estratégias voltadas para Formação de Redes


FV - Ramos: 01. AIC

Falar de Associação Internacional de Caridades é descrever a mais antiga associação feminina da história do voluntariado. Com efeito, suas origens remontam ao ano de 1617, ano em que São Vicente de Paulo, em Châtillon-les-Dombes, reuniu, pela primeira vez, um grupo de senhoras e estruturou suas primeiras iniciativas de assistência às famílias pobres da paróquia.
A este primeiro grupo e àqueles que o seguiram, Vicente de Paulo deu o nome significativo de “Caridades”. Ele mesmo favoreceu sua difusão, não somente na França, mas também na Itália e na Polônia, criando assim, uma Associação Internacional. Para favorecer a unidade desta obra, deu-lhe regras baseadas no seguimento de Jesus Cristo, no amor evangélico sem fronteiras, na organização das intervenções, na criatividade para encontrar maneiras sempre novas de ajudar os mais Pobres.
Ainda, para manter a comunicação entre as Caridades, Vicente de Paulo escreveu um número considerável de cartas e até publicou Relações, um boletim não muito diferente do boletim atual publicado por esta Associação. Isto já era a organização, não somente da Caridade, mas ainda da comunicação, um dos traços do espírito do fundador Vicente de Paulo.
Após a morte de São Vicente de Paulo, as Caridades se difundiram em numerosos países, graças aos Padres da Congregação da Missão e às Filhas da Caridade. Assim, foram criadas Associações Nacionais ligadas entre si por laços de colaboração e coordenadas pela presidente da Associação francesa. Ao mesmo tempo, em outros países, grupos nascidos espontaneamente se integraram à Associação das “Caridades”, na qual reconheceram seus próprios objetivos. Esta colaboração internacional foi interrompida no século XVIII, quando a Associação francesa teve que cessar suas atividades por causa da Revolução de 1789. Entretanto, desde 1840 retomou seus contatos com as outras Associações. Em 1930, realizou-se o primeiro Congresso Internacional das “Caridades”. Outros se seguiram. A ruptura das relações internacionais impôs um parêntese durante a segunda guerra mundial. Os congressos prosseguiram desde o fim dessas hostilidades.
Na década de 1960, a Associação Internacional de Caridades começou a sentir necessidade de se atualizar. Em 1971, a AIC adquire um caráter internacional e se renova na linha do Concílio Vaticano II. O nome de damas ou senhoras da Caridade foi em geral abandonado. As Associações dos diversos países, atentas aos sinais dos tempos, aceitaram as mudanças ocorridas na sociedade e na Igreja pós-conciliar: conforme aos ensinamentos do próprio Vicente de Paulo, elas decidiram mudar seus métodos e suas estruturas e elaboraram um estatuto internacional, de acordo com as exigências de nosso tempo. Em 1971, as delegadas de vinte e duas Associações, reunidas em Assembléia extraordinária, votaram o novo estatuto e adotaram o nome de AIC: Associação Internacional de Caridades.
Decidindo manter, no novo nome, o termo Caridades, os membros quiseram manifestar sua descendência direta da obra fundada por Vicente de Paulo e sua fidelidade ao ensinamento profético de seu fundador. O ano de 1971 foi de grandes decisões para a Associação. O reconhecimento da Associação Internacional e a adesão ao espírito inovador do Concílio Vaticano II deram um novo impulso à Associação Internacional de Caridades. Desde então, continuou a se desenvolver e a amadurecer, graças a uma renovação contínua da reflexão e da ação e graças, também, à tomada de consciência de suas funções próprias no seio da sociedade civil, da comunidade internacional e da Igreja.
Com o tema “Contra as pobrezas agir juntas”, a Associação Internacional de Caridades se transforma em uma rede de projetos através do mundo. A Associação Internacional de Caridades está presente, hoje, em numerosos países da Europa, da América Latina e da América do Norte, da Ásia e da África. Ela agrupa quarenta e duas Associações, com mais de duzentos e cinqüenta mil membros, todos engajados no esforço de realizar, de modo adaptado ao nosso tempo, o projeto fundamental de Vicente de Paulo, seu fundador: “Contra as pobrezas, agir em juntas”.
Para favorecer esta tarefa comum, a Associação Internacional de Caridades se empenha em formar as Voluntárias da Caridade, organizando seminários em nível mundial e regional, visitando as Associações, publicando e difundindo documentos de reflexão e de formação. Coordena a atividade das Voluntárias por uma ação mais eficaz em favor dos Pobres e dos marginalizados, ajudando-os também a executar projetos locais, a obter subvenções de organismos internacionais, a favorecer permutas e colaboração entre projetos similares.
A Associação Internacional de Caridades tomou consciência de ser um entrelaçamento mundial de luta contra a pobreza e de promoção dos Pobres. Ela se aplica concretamente a suscitar a mesma convicção no seio de suas Associações. Enfim, preocupada com as situações, a Associação Internacional de Caridades se esforça por criar novos grupos nos países onde a Associação ainda não existe. Nesses países é, muitas vezes, necessário ter a presença de Voluntárias bem preparadas, como é indispensável a presença das Filhas da Caridade, cujo apoio neste sentido é determinante.
Consciente da universalidade dos problemas da pobreza, a Associação Internacional de Caridades se insere na vida das grandes organizações internacionais. A Associação Internacional de Caridades, como associação mundial, tem consciência de possuir um papel a desempenhar no plano internacional. Em vista disto, representa suas Associações junto aos organismos governamentais ou não-governamentais. Possui um estatuto consultivo junto à UNESCO, ao ECOSOC e ao Parlamento Europeu. Colabora com muitos outros organismos, num nível supranacional, participa dos entrelaçamentos e das mudanças. É membro do CIAS, da Conferência das OIC, da UMOFC e de outras associações femininas.
Associação Internacional de Caridades, associação de mulheres, dedica uma atenção particular aos problemas das mulheres. A participação em iniciativas em favor das mulheres é coerente com a preferência da Associação Internacional de Caridades. Sendo, desde a origem, uma associação, sobretudo feminina, dá uma atenção particular à situação das mulheres pobres, duplamente sofredoras, porque mulheres e marginalizadas; procura conhecer, sempre mais a fundo, suas necessidades, as situações de injustiças e de violências nas quais vivem. Para ser fiel a esta opção, consciente de sua responsabilidade, a Associação Internacional de Caridades participa de todas as grandes iniciativas mundiais em favor do mundo feminino.
Por suas representantes, colabora com as iniciativas de numerosos organismos não governamentais ou católicos, como por exemplo, na preparação da Conferência Mundial sobre as Mulheres, que teve lugar em Pequim, em 1995. A Associação Internacional de Caridades sabe que pode dar uma ajuda específica, graças à experiência concreta de suas Voluntárias, graças também ao desenvolvimento de sua idéia da importância das funções das mulheres nas famílias mais pobres e mais marginalizadas; sua experiência e seu projeto podem fornecer uma base útil à reflexão. São mediadoras, agentes de pacificação em um contexto fortemente marcado por dilaceramentos e oposições.
A Associação Internacional de Caridades adota como linhas de ação: a formação, a comunicação, a solidariedade, a autopromoção, tomadas como eixo de sua ação junto às famílias pobres. Para ser fiel à sua missão específica, a Associação Internacional de Caridades sente necessidade de renovar-se constantemente para encontrar os melhores expedientes para a promoção dos Pobres, em um tempo e em uma cultura adequada. Para isto, em 1990, em Assis, Itália, a Assembléia das Delegadas definiu suas próprias linhas de ação, com o objetivo de um esforço conjunto para favorecer a formação, a comunicação, a solidariedade e a autopromoção. Estas linhas foram fixadas, desenvolvidas e consolidadas durante a Assembléia de 1994, em Antigua - Guatemala, considerando o caminho percorrido pela Associação. Com efeito, no decorrer dos anos, mesmo permanecendo fiel às preferências fundamentais, a reflexão da Associação Internacional de Caridades abriu novos caminhos e indicou novos objetivos.
A opção anterior de permanecer ao lado das famílias mais pobres, muitas vezes marginalizadas, forçadas a viver em situações sociais dramáticas, sofreu profundas modificações desde que se percebeu que a simples assistência era ineficaz e acabava por criar novas dependências. É preciso que os próprios Pobres participem de sua promoção. Isto levou a Associação Internacional de Caridades à maturidade de uma nova compreensão da importância da família em sua globalidade, tanto como primeira célula da comunidade humana quanto como origem primordial elementar da ordem social. Novas e mais profundas motivações, de ordem sociológica, foram resgatadas. De tais motivações nasceu a idéia de que não basta sustentar as famílias mais pobres, mas é preciso fazê-las tomar consciência do valor e dos direitos da família.
É preciso lutar com elas para defendê-las.
No decorrer desta campanha, as Voluntárias da Associação Internacional de Caridades encontraram aliadas preciosas nas mulheres dessas comunidades: em geral, elas se mostraram sensíveis à dimensão familiar e social. Deste modo, nasceu entre as mulheres uma solidariedade que se exprime, concretamente, na participação ativa nas iniciativas de proteção comunitária, projetadas e executadas, de comum acordo, pelas Voluntárias e pelas mulheres das comunidades locais, mulheres que poderão ser, futuramente, Voluntárias da Associação Internacional de Caridades, engajadas na autopromoção de sua comunidade. A idéia da autopromoção dos Pobres, tornada como um dos objetivos prioritários da Associação Internacional de Caridades, foi promovida no seio da Associação a partir de uma intuição das Voluntárias latino-americanas, alarmadas pelos sofrimentos das comunidades mais marginalizadas, onde as pessoas não são respeitadas em sua dignidade, seus direitos, sobretudo no direito de decidir sua própria vida.
Para combater esta negação do direito de os Pobres serem os agentes de sua promoção, as Voluntárias latino-americanas empreenderam uma campanha de animação comunitária, a fim de suscitar nos próprios Pobres o desejo de lançar iniciativas e de dar início a projetos de autopromoção. Da América Latina, esta intuição fundamental se divulgou, com mais ou menos dificuldades, no mundo inteiro. Em cada país há, atualmente, Voluntárias da Associação Internacional de Caridades engajadas em projetos dessa espécie.
Em 1994, a Associação Internacional de Caridades assume a defesa dos direitos humanos em favor dos mais pobres. No decorrer dos anos, a idéia de autopromoção se desenvolveu. Levou as Voluntárias a fazerem uma pesquisa minuciosa sobre o valor da pessoa. Chegou-se, então, à conclusão de que ninguém pode promover-se sozinho, que todo desenvolvimento autêntico só pode ser feito no contexto familiar e social. Empreende-se também, uma investigação sobre as injustiças que atingem, principalmente, os Pobres. Atualmente, são muitos os que se sentem rechaçados, marginalizados, excluídos de qualquer participação, recusados pela sociedade. Esta marginalização é gravemente injusta porque os impede de gozar dos direitos fundamentais da pessoa humana. Está ressaltado na Declaração Universal dos Direitos Humanos e de acordo com o artigo 7, que toda pessoa tem o direito de ser protegida das discriminações.
O artigo22 afirma o direito de dispor de meios suficientes para o livre desenvolvimento de sua personalidade. A pessoa tem o direito de participar da vida pública e cultural de sua comunidade. Por conseguinte, como dizia Vicente de Paulo, a luta contra a exclusão social é “obra de Justiça antes de ser obra de Caridade”. A partir da reflexão sobre tais temas, as Voluntárias não quiseram ficar alheias a esse mundo onde existem tantos direitos negados. No decorrer da Assembléia, em Antigua, as declarações das Associações de Caridades do mundo inteiro engajaram as Voluntárias em uma ação “política”: em primeiro lugar denunciando as injustiças que ferem os Pobres, sobretudo as mulheres, e, depois, fazendo também pressão sobre as estruturas políticas, a fim de que sejam reconhecidos e defendidos os direitos das famílias e das comunidades marginalizadas.
Por esta ação política, as Voluntárias da Associação Internacional de Caridades colaboram com outras organizações de voluntariado, com as instituições e os movimentos sociais mais abertos aos problemas de justiça, sabendo muito bem que esta obra elas não podem fazer sozinhas. É preciso, então, uma vasta campanha de opinião pública. É preciso difundir na sociedade a idéia de que a pobreza não é uma fatalidade à qual seja preciso resignar-se, apenas suavizando seus efeitos com simples paliativos.
É preciso considerar a pobreza como uma injustiça a combater, começando por intervenções apropriadas de prevenção, assim como de sensibilização das culturas. Por “cultura” entendemos todo o complexo de idéias, de conhecimentos, de história, de tradição, que formam a mentalidade corrente. As Voluntárias da Associação Internacional de Caridades ampliaram sua pesquisa para poder discernir, na bagagem cultural de seu meio de vida, as motivações que criam tantas situações de injustiça, como a falta de respeito pela dignidade dos marginalizados. Descobriu-se uma vasta série de mentalidades. Há o desprezo explícito pelos fracos, olhados como frustrados, incapazes, portanto, indignos de gozar de seus direitos fundamentais.
Às vezes há uma grande variedade de sentimentos diversamente misturados: Em muitas pessoas é comum faltar, totalmente, a confiança nos Pobres e procurar substituí-los, oferecendo-lhes uma assistência, muitas vezes humilhante. Evidentemente, todas estas mentalidades são sérios obstáculos à autopromoção autêntica, baseada no respeito e na solidariedade paritária.
A Associação Internacional de Caridades encaminha suas atividades em direção de uma cultura da solidariedade e da autopromoção, do respeito e da paz. Graças a esta reflexão, a Associação Internacional de Caridades percebe que, para defender a dignidade humana e a justiça, é necessário aplicar-se a extirpar tais mentalidades, a transformar convicções íntimas bastante difundidas e profundamente enraizadas.
É preciso sofrer o impacto das culturas existentes e nelas enxertar uma cultura nova de paz, de respeito, de solidariedade e de autopromoção, à força de um trabalho lento e tenaz. Somente quando esta cultura for mais difundida é que se tornará realidade, no seio da comunidade humana, o voto expresso nas primeiras linhas da Declaração Universal dos Direito Humanos: “O reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz”.
As Voluntárias da Associação Internacional de Caridades, membros de uma associação católica, reivindicando os valores da Caridade e da solidariedade cristã, não podem ignorar que impulsos podem ser dados a esta ação para o anúncio do Evangelho. Com efeito, a evangelização, que lança raízes profundas na cultura da sociedade, é a única capaz de produzir uma conversão das mentalidades.
Uma tal reflexão foi grandemente ajudada pelos textos mais recentes do Magistério da Igreja que apresentam o dever de os cristãos evangelizarem as pessoas, as comunidades e as culturas. Trata-se de uma maneira nova de viver a mensagem de Cristo e de anunciá-la, abordando as diversas comunidades humanas, de maneira que “o Evangelho, encarnado em sua cultura, manifeste toda a sua vitalidade, e que elas possam manter diálogo com as outras comunidades para se enriquecerem mutuamente”.
Este processo, fundamentalmente cristão e eclesial, este caminho, percorrido pela Associação Internacional de Caridades, unida com os Padres da Congregação da Missão e com as Filhas da Caridade, que sempre apoiaram esta Associação, continua realizando seu trabalho de serviço aos Pobres, conforme o carisma e a espiritualidade de São Vicente de Paulo.
Em nível internacional, a partir de uma reunião acontecida no dia 3 de junho de 1995, a Associação Internacional de Caridades, iniciou, com outros grupos da Família Vicentina, uma relação mais profunda e uma interação que conduzirá a um retorno às raízes da Associação, ou seja, a fazer reviver o projeto de Vicente de Paulo que instituiu a Associação para trabalhar em colaboração.

FV - Ramos: 02 CM

Congregação da Missão

1.1. O fim da Congregação da Missão

São Vicente de Paulo fundou a Congregação da Missão em 1625 para a evangelização dos Pobres e a formação do Clero. Hoje, a Congregação da Missão define sua finalidade desta maneira: “O fim da Congregação da Missão é seguir Cristo Evangelizador dos Pobres. Este fim se realiza, quando os coirmãos e as Comunidades, fiéis a São Vicente de Paulo: 1°. procuram com todas as forças revestir-se do espírito do próprio Cristo (Regras Comuns, 1, 3) para adquirirem a perfeição conveniente à sua vocação (Regras Comuns, XII, 13); 2°. se aplicam a evangelizar os Pobres, sobretudo os mais abandonados; 3°. ajudam os clérigos e os leigos na sua própria formação e os levam a participar mais plenamente na evangelização dos Pobres” (Constituições, art, 1).
Atenta aos sinais dos tempos e às realidades de nossa época, a Assembléia Geral de 1980, no momento de definir esta finalidade, em lugar de dizer, como São Vicente de Paulo nas Regras Comuns: “evangelizar os pobres, mormente os camponeses”, escolheu: “a evangelização dos Pobres, sobretudo dos mais abandonados”; em lugar de dizer como São Vicente de Paulo: “ajudar os eclesiásticos a adquirir as ciências e as virtudes necessárias ao seu estado”, escolheu: “a formação do Clero e dos Leigos, levando-os a trabalhar mais efetivamente na evangelização dos Pobres”.

1.2. O espírito da Congregação da Missão

“O espírito da Congregação contém aquelas íntimas disposições de alma do Cristo que o Fundador, desde o início, já recomendava aos Coirmãos: amor e reverência para com o Pai, caridade efetiva e compassiva para com os Pobres e docilidade para com a divina Providência” (Constituições, art. 6).
A Congregação procura exprimir seu espírito por meio das cinco virtudes, colhidas também de uma visão muito própria do Cristo: simplicidade, humildade, mansidão, mortificação e zelo.
Como disse São Vicente de Paulo: “A Congregação da Missão se aplicará com maior diligência a cultivá-las e exercitá-las, de modo que estas cinco virtudes sejam como que as faculdades da alma de toda a Congregação e todas as nossas ações sejam sempre animadas por elas” (Regras Comuns, II, 14; Constituições, art. 7).

1.3. Características das obras da Congregação da Missão

A obra de evangelização, que a Congregação da Missão se propõe a cumprir, deve caracterizar-se por: a) preferência clara e expressa pelo apostolado entre os Pobres. Com efeito, a evangelização deles é sinal de que o Reino de Deus na terra se aproxima (Mt 11, 5); b) atenção às realidades sociais, sobretudo às causas da desigualdade da distribuição dos bens, no mundo, para melhor desempenhar as atribuições proféticas da evangelização; c) uma certa participação na condição dos Pobres, de modo a não somente evangelizá-los, mas também a sermos evangelizados por eles; d) um verdadeiro sentido comunitário na atividade apostólica para nos fortalecer, mutuamente, em nossa vocação comum; e) uma disponibilidade para ir por todo o mundo, a exemplo dos primeiros missionários da Congregação; f) um estado de conversão permanente, procurado por cada um e pela Congregação inteira, seguindo a exortação de São Paulo: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos renovando vossa maneira de pensar e de julgar” (Rm 12, 2; cf. Constituições, art. 12).

1.4. Estatuto jurídico da Congregação da Missão

A Congregação da Missão é uma Sociedade de Vida Apostólica, composta de Padres e de Irmãos. Seu estatuto jurídico é definido pelas Constituições, no quadro dos cânones 731-746 do Direito Canônico. Seus membros fazem votos, mas não de índole religiosa, conforme a intenção de São Vicente de Paulo que desejou para os membros da Congregação da Missão a flexibilidade e a mobilidade de uma sociedade apostólica que vive e trabalha em íntimo contato com a realidade do povo.

1.5. Obrigações segundo as Constituições e Estatutos

A Congregação da Missão evangeliza os Pobres através das missões populares (Constituições, art. 14), hoje, sobretudo em paróquias (Estatutos 10); possui também muitas missões “ad gentes” (Constituições, art. 16), cada Província procurando ter uma missão em um país pobre ou naqueles em que a Igreja não se encontra ainda estabelecida de maneira suficiente (Estatuto, 5). Por exemplo, a Alemanha mantém a Vice-Província de Costa Rica; Nápoles, Roma e Turim mantêm a nova missão na Albânia. Nápoles já tinha formado a Vice-Província de São Justino de Jacobis, na Eritréia.
A Congregação da Missão, depois da Assembléia Geral de 1992, deu início a novas missões na Europa Oriental (Os países beneficiados por esta iniciativa foram, primeiramente, a Albânia e a Ucrânia, depois a Sibéria e Lituânia), na Tanzânia, nas Ilhas Salomon, na Bolívia; reforçou as províncias de Cuba e da China e a Vice-Província de Moçambique.
Na pregação das missões populares e nas missões “ad gentes” a Congregação da Missão conta, freqüentemente, com a colaboração das Filhas da Caridade e de muitos(as) voluntários(as) leigos(as), animados(as) do espírito de São Vicente de Paulo. Entre estes(as) voluntários(as) surgem algumas vocações para as Filhas da Caridade e para a Congregação da Missão.
A Congregação da Missão tem ainda seminários para a formação do Clero (Constituições, art.15). Esta obra não conhece, atualmente, o esplendor de outrora; entretanto o Superior Geral recebe muitos pedidos de Bispos dos países missionários ou desprovidos de clero autóctone. Há muitos padres da Congregação da Missão nomeados para a assistência espiritual das Filhas da Caridade, seja como seus diretores provinciais, seja como pregadores de retiros, confessores ou capelães. “Como a Congregação da Missão desfruta da mesma herança que as Filhas da Caridade, os coirmãos hão de atender de bom grado aos pedidos de ajuda da parte delas, sobretudo no que se refere aos retiros e à direção espiritual” (Constituições, art.17).
“As Associações de Leigos(as) fundadas por São Vicente de Paulo ou oriundas de seu espírito serão objeto de particular cuidado dos coirmãos, pois têm direto a que lhes demos assistência e as fomentemos. Embora todos os coirmãos devam estar preparados para o desempenho destas funções, contudo é necessário que haja alguns mais especializados no assunto. Cuide-se para dar a essa animação uma dimensão espiritual, eclesial, social e política” (Estatutos, 7).
Trabalha-se com a Associação Internacional de Caridades, com a Sociedade de São Vicente de Paulo, a Juventude Marial, a Associação da Medalha Milagrosa e outros grupos da Família Vicentina nos diversos países onde se encontram.
Em certos países, as escolas constituem um apostolado necessário, no qual estão engajados muitos Coirmãos. Desde o nível primário, como na Índia, até os estudos universitários, como nas Filipinas e nos Estados Unidos (Estatutos, 11).

1.6. Diversidade de apostolado na Congregação da Missão

Na Congregação da Missão encontram-se Coirmãos que trabalham com aqueles que vivem nos grandes depósitos de lixo (Há um trabalho com os trabalhadores do lixão de Payatas, na Filipinas). Há Coirmãos que se dedicam às comunidades terapêuticas, aos drogados, às vítimas da AIDS (A Congregação da Missão realiza esse trabalho, sobretudo na Europa, em parceria com as Filhas da Caridade e com voluntárias leigas), às comunidades indígenas (Trabalho esse realizado, sobretudo na América Latina), aos surdos (Realizado na Irlanda), aos ciganos, aos prisioneiros, aos meninos de rua, aos sem-teto... Há pastorais específicas como a dos Coirmãos do Brasil, Província de Curitiba, Paraná, que trabalham com os caminhoneiros, sempre nas estradas. Há Coirmãos que formam Comunidades Eclesiais de Base e se consagram à formação de agentes leigos de pastorais que assegurarão a assistência espiritual lá onde não houver presbíteros. Outros coirmãos trabalham para formar “multiplicadores da ação vicentina”, seja pela animação dos grupos leigos, seja no ensino superior, nas instituições universitárias de estudos eclesiásticos ou nos diversos setores de ensino.
Há Coirmãos que participam de equipes de reflexão sobre a vida consagrada, a educação, o ateísmo, os meios de comunicação social, a pastoral familiar, a ajuda psicológica, etc., e ocupam uma parte de seu tempo dando cursos nos Institutos Diocesanos, nos Institutos das Províncias da Congregação da Missão e de outras Congregações.

1.7. As Conferências dos Visitadores

Nos países onde há duas ou mais Províncias (Os países com mais de uma Província são: Brasil, Espanha, Estados Unidos, França, Itália e Índia), os Visitadores e seus Conselhos se reúnem regularmente para coordenar as obras de apostolado que é possível assumir e realizar em conjunto e para garantir projetos em comum, como as casas de formação para os seus candidatos (As Casas de Formação compreendem as etapas do Propedêutico, Seminário Interno (ou noviciado), Filosofia e Teologia). Outras Províncias se têm reunido nas Conferências continentais, como da América Latina (CLAPVI – Conferência Latino-Americana de Províncias Vicentinas), e, mais recentemente, as da Europa, da África e de Madagascar (COVIAM – Conferências dos Visitadores da África e Madagascar), da Ásia e do Pacífico.
A Conferência Latino-Americana das Províncias Vicentinas se caracterizou por uma série de encontros e de cursos realizados pelos Coirmãos dos diversos setores (Os cursos e encontros mais freqüentes aconteceram entre os missionários que trabalham nos setores de formação, paróquias e assessoria dos movimentos leigos). Hoje, todos estes cursos e encontros são também abertos a toda a Família Vicentina. Há igualmente, grupos de Províncias que possuem uma coordenação conjunta com as Filhas da Caridade para a formação vicentina, como na Espanha e na Itália.
Há Províncias onde os seminaristas se reúnem regularmente para a formação vicentina, como fazem os da Europa e do Brasil. Há seminário interno interprovincial, como o da Argentina, Chile e Peru ou como das três Províncias do Brasil ( Moçambique fez o Seminário Interno junto com as três províncias do Brasil no ano de 2003).
Há programas que merecem uma atenção especial, como o das semanas de Estudos Vicentinos de Salamanca, Espanha, ou os estudos da Equipe de Animação Vicentina de Tolosa, França.
Diversos países publicaram muitos livros sobre São Vicente de Paulo e seu carisma, sobre assuntos vicentinos e as pessoas ligadas a São Vicente de Paulo. Escreve-se, atualmente, uma História da Congregação da Missão.
Para estimular os estudos vicentinos, formou-se um Secretariado Internacional de Estudos Vicentinos – SIEV, que organiza, em Paris, os Meses Vicentinos de especialização para os Coirmãos, em geral, e para os formadores, e os Diretores das Filhas da Caridade, etc.
Atualmente, existe, também em Paris, o Centro Internacional de Formação Vicentina São Vicente de Paulo – CIF, ao qual as Províncias se comprometem a enviar os Coirmãos, entre os trinta e cinco e os cinqüenta anos, para uma reciclagem vicentina (Texto preparado pela Congregação da Missão).

FV - Ramos: 03 FC




Companhia das Filhas da Caridade

1.1. Um pouco de história

A Companhia das Filhas da Caridade foi fundada em 1633, por São Vicente de Paulo (São Vicente de Paulo nasceu no dia 24 de abril de 1581 e morreu em Paris no dia 27 de setembro de 1660) e Santa Luísa de Marillac (Santa Luísa de Marillac nasceu no dia 12 de agosto de 1591 e morreu no dia 15 de março de 1660) em Paris, na França.


As primeiras Caridades ou Confrarias da Caridade foram organizadas por São Vicente de Paulo, em 1617 na Paróquia de Châtillon-les Dombes, França. Eram compostas de mulheres, de meios relativamente modestos, que desejavam dedicar-se ao serviço dos pobres e dos doentes de suas aldeias ou paróquias.

Quando estas Confrarias da Caridade atingiram Paris, as senhoras da nobreza ou da alta burguesia também se engajaram, seduzidas pelo zelo e pelo entusiasmo apostólico do Pe. Vicente de Paulo.
Mas suas obrigações familiares e sua posição social tornavam difíceis os serviços humildes, nas casas dos Pobres, e algumas se sentiram na obrigação de descarregar o fardo sobre suas domésticas; estas o assumiam, a maior parte das vezes, bem constrangidas e não agiam com Caridade.


Foi então que Margarida Naseau se apresentou ao Pe. Vicente de Paulo. Ela o conheceu por ocasião de uma missão em sua paróquia. Desejava servir os Pobres, gratuitamente, por amor de Deus. Inteligente e corajosa, foi colocada ao serviço da Confraria de São Nicolau de Chardonnet, em Paris, e, dentro em pouco, foi seguida por outras jovens, na maior parte, saídas igualmente do meio rural.

A partir de 1630, Pe. Vicente de Paulo as confiou a Luísa de Marillac, que o auxiliava na organização e na visita das Confrarias criadas por ele e por seus primeiros Coirmãos, lá onde se faziam as Missões.
Essas jovens estavam, no entanto, dispersas em Paris, cada uma a serviço de uma Confraria diferente; rapidamente, Luísa de Marillac percebeu a necessidade de agrupá-las, a fim de formá-las e acompanhá-las melhor em seu serviço, tanto corporal quanto espiritualmente.
Após muitas reflexões, obteve a autorização do Pe. Vicente de Paulo e, aos 29 de novembro de 1633, recebia, em sua casa, as seis primeiras “Filhas” da Caridade.

Esta data assinala “a ata de nascimento” da Companhia das “Filhas da Caridade”. Era uma novidade na Igreja daquele tempo, que não admitia que as religiosas saíssem dos claustros.
Para salvaguardar o serviço dos Pobres, Pe. Vicente lhes recomendava sempre que fossem boas cristãs, prometendo a Deus servi-lo fielmente, nos Pobres. As Filhas da Caridade não são, pois, religiosas, no sentido canônico do termo, mas são consagradas a Jesus Cristo para o serviço aos Pobres (Texto preparado pela Companhia das Filhas da Caridade).

Na fundação das Filhas da Caridade há uma estreita ligação entre São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac. Luísa de Marillac, ela mesma, relata:
“No dia de Pentecostes (Festa de Pentecostes celebrada no dia 4 de junho de 1623), participando da Missa e fazendo oração na igreja, de repente, fui esclarecida de minhas dúvidas e avisada de que deveria permanecer com meu marido e de que viria o dia em que estaria em condições de fazer voto de pobreza, de castidade e obediência, numa pequena comunidade, com pessoas que fariam o mesmo. Entendi, então, que isso seria num lugar dedicado a servir ao próximo; não podia, porém, compreender de que jeito se faria isso, porque, haveria idas e vindas” (Escritos de Santa Luísa de Marillac, nº 3).

Este é um trecho do relato de Santa Luísa, que se encontra guardado até hoje, sobre a Luz de Pentecostes, experiência espiritual feita por ela quando ainda estava casada e na qual recebeu a inspiração do que viria a ser a Companhia das Filhas da Caridade, 10 anos depois.
Nesta época, Santa Luísa ainda não conhecia São Vicente de Paulo. O encontro dos dois se dá aproximadamente em 1625, quando Luísa de Marillac já está viúva e Vicente de Paulo já é conhecido pelo seu serviço aos Pobres, tendo, para isso, fundado a Congregação da Missão e as Confrarias das Caridades.

A
antipatia surgida no primeiro encontro, originada por realidades individuais e sociais tão diferentes, vai sendo superada. Vicente de Paulo descobre em Luísa de Marillac uma mulher de oração, em busca da vontade de Deus, disposta a se sacrificar e se doar por inteiro aos Pobres.
Já Luísa descobre em Vicente um homem bom e generoso, que, a partir da leitura dos acontecimentos e da oração, percebe o apelo de Deus para servir os Pobres.

Juntos e consagrados a Deus, começam a trabalhar na organização e animação das Confrarias da Caridade. Inicialmente, as primeiras Irmãs trabalhavam nas paróquias, servindo os Pobres em suas próprias casas (cfr: Ir. Carolina Mureb Santos, Filha da Caridade, Boletim da Família Vicentina, Secretariado Regional de São Paulo, Nº 08 - julho de 2000, pág. 2-3). Há um trecho de uma Conferência proferida por São Vicente de Paulo no qual traça o perfil das Filhas da Caridade. Ele pedia às Filhas da Caridade que percorressem as periferias e visitassem os barracos. Deviam ser consagradas sem hábito e ir a todo lugar sem véu e sem votos solenes.

Dizia:
“Terão por mosteiro as casas dos doentes e aquela em que reside a superiora; por cela, um quarto de aluguel; por capela, a igreja da paróquia; por claustro, as ruas da cidade; por clausura, a obediência, não devendo ir senão às casas dos doentes ou aos lugares necessários para o serviço deles; por grade, o temor de Deus; por véu, senão a santa modéstia” (Conferência de 24 de agosto de 1659. SV X, 661).

Assim, São Vicente de Paulo deixava muito claro para as Irmãs que elas não eram religiosas, uma vez que ser religiosa naquela época significava manter-se na clausura. Não havia nenhuma congregação religiosa feminina cujas Irmãs “andassem pelas ruas” servindo os Pobres ou que tivessem esta possibilidade de freqüentar as paróquias e servir os Pobres em suas casas.
Outra “inovação” de Santa Luísa de Marillac e São Vicente de Paulo foi que as Filhas da Caridade não fazem votos perpétuos, isto é, até hoje, todos os anos na festa da Anunciação do Senhor, as Irmãs no mundo inteiro renovam seus votos de castidade, pobreza, obediência e serviço aos Pobres por mais um ano.

Segundo eles, isto favoreceria a permanência somente daquelas Irmãs que realmente tivessem vocação, bem como uma constante renovação do amor à vocação e da entrega de vida, esta sim, para toda a vida.

Com o passar do tempo, o serviço das Filhas da Caridade foi se diversificando: além de atender os Pobres em suas casas, trabalhavam em hospitais, fundaram escolas para meninas pobres (Na época os ricos, por sua condição de ricos, eram acostumados a receberem privilégios. Nas escolas fundadas para as crianças pobres, podiam estudar também crianças ricas, no entanto deveriam ser tratadas como as outras, sem qualquer privilégio), orfanatos, asilos, casas para loucos, prisioneiros, etc. A colaboração de Luísa de Marillac foi fundamental para que Vicente de Paulo construísse a rede de caridade que construiu, em que as Irmãs, formadas e acompanhadas por sua Fundadora, estiveram presentes, realizando todo tipo de serviço.

Fundadores morreram no mesmo ano, 1660, Santa Luísa em 15 de março e São Vicente de Paulo em 27 de setembro.

Dois séculos depois, a Companhia que fundaram, recebeu uma enorme bênção de Deus: uma jovem Irmã do Seminário, Catarina Labouré, recebeu de Nossa Senhora a missão de confeccionar e distribuir a Medalha de Nossa Senhora das Graças.
O povo, que a usou com muita fé na intercessão da Mãe de Deus e rezou: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”, passou a chamá-la de Medalha Milagrosa, nome e devoção que continuam até hoje.


Catarina Labouré foi canonizada e seu corpo permanece intacto na Capela das Filhas da Caridade em Paris. Atualmente, a Companhia das Filhas da Caridade está presente em todos os continentes. No Brasil, as Filhas da Caridade estão divididas em 6 Províncias.
Apesar das inúmeras e crescentes dificuldades em manter-se fiéis ao espírito dos Fundadores, as Filhas da Caridade procuram cultivar, através da vida espiritual, da vida comunitária fraterna e de sua missão, o amor e pertença à Companhia que, em nome da Igreja, as envia a construir o Reino que Jesus anunciou no meio de seus preferidos, os Pobres” (Cfr Ir. Carolina Mureb Santos, op. cit).

1.2. O espírito e as convicções das Filhas da Caridade

Segundo as palavras do próprio São Vicente de Paulo, na primeira Regra, “o fim principal pelo qual Deus chamou e reuniu as Filhas da Caridade é para honrar Nosso Senhor Jesus Cristo como fonte e modelo de toda caridade, servindo-o corporal e espiritualmente na pessoa dos Pobres”.
A Regra das Filhas da Caridade é o Cristo, Evangelizador dos Pobres, que se identifica com os pequenos, os mais despojados.


O Mistério da Encarnação está no centro da espiritualidade de São Vicente de Paulo e de Santa Luísa de Marillac, ambos discípulos da escola francesa de espiritualidade.
As Filhas da Caridade dão-se totalmente ao Cristo, seguindo, radicalmente, os conselhos evangélicos. Elas querem ser disponíveis para o serviço de Cristo nos Pobres e a ele se consagram inteiramente nesse mesmo serviço.

1.3. A missão das Filhas da Caridade

De acordo com a vontade de São Vicente de Paulo e de Santa Luísa de Marillac, as Filhas da Caridade são, pois, servas de Jesus Cristo, para todo o serviço corporal e espiritual dos Pobres que lhes forem confiados.


Consagradas em comunidade de vida fraterna para a missão, elas associam serviço e contemplação. Sua relação com Deus deve ser simples e forte, fundada sobre a união a Deus, pelo silêncio, a oração pessoal e comunitária, a vida sacramental, em particular a Eucaristia, e a devoção à Virgem Maria.

Com efeito, a Companhia das Filhas da Caridade sente-se marial desde sua origem. Em 1640, Pe. Vicente de Paulo explica às Filhas da Caridade, o Regulamento que estabelece que “a Companhia é instituída para honrar e servir Jesus Cristo e sua Santa Mãe...”.
Por sua vez, Luísa de Marillac confiou a Companhia nascente a Nossa Senhora de Chartres e motivou as Filhas da Caridade a ter uma grande devoção a Maria, Mãe da Igreja e Mãe da pequena Companhia.


Desde 1830, a Capela da Casa Mãe (Casa-Mãe das Filhas da Caridade em Paris, França, Rua du Bac, 140), onde se deram as Aparições da Virgem a Santa Catarina Labouré, é lugar de peregrinação e de oração marial, muito importante na França.
A atenção aos sinais dos tempos, aos apelos da Igreja e do mundo dos Pobres torna a Companhia das Filhas da Caridade disponível na mobilidade, qualquer que seja o serviço, sob todas as circunstâncias, com a preocupação constante de inculturar o espírito e o carisma de São Vicente de Paulo, isto é, com a vontade de respeitar cada um e de promover a cultura do país.
A Companhia das Filhas da Caridade é missionária desde a sua fundação. São Vicente de Paulo não hesitou em enviar as Filhas da Caridade aos quatro cantos do mundo, fora das fronteiras da França.


As missões se estendem por todos os países e delas são encarregadas as Irmãs Missionárias que trabalham em colaboração com as Igrejas locais e vivem em comunidade de vida fraterna com as Irmãs autóctones, desde que surjam vocações no seio dessas comunidades.
Seguindo a vontade dos Fundadores, nas escolhas a fazer, a prioridade é dada aos excluídos da sociedade.


São Vicente de Paulo ficara impressionado com a miséria dos doentes em suas casas, não tendo dinheiro, nem coragem de ir tratar-se nos hospitais da época, que exigiam, para muitos Pobres, o internamento. Eis a razão pela qual quis que as Filhas da Caridade pudessem ir até eles, procurá-los “em suas próprias casas, sobretudo os mais pobres, os mais abandonados”.
Não obstante, São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac, rapidamente, procuraram atender aos apelos das Damas e dos Administradores que reclamavam as Filhas da Caridade para os hospitais ou outros estabelecimentos da época (Santa Luísa de Marillac, ela mesma, acompanhou a ida das primeiras Filhas da Caridade até Angers, em 1639).


Em qualquer lugar onde ele se exerça, o serviço é sempre definido como corporal e espiritual (Entendemos que, quando São Vicente de Paulo fala do serviço na ordem “corporal e espiritual” se refere à perfeita união entre a “caridade e evangelização”. Praticar a caridade nas suas três dimensões: Caridade como assistência, Caridade como promoção e Caridade como libertação. Depois, a Evangelização: falar do Reino de Deus e das propostas de Jesus Cristo para que todos tenham vida), serviço sob todas as formas, tanto no que diz respeito ao acompanhamento humano quanto no que se refere ao acompanhamento espiritual.

1.4. Formação na Companhia das Filhas da Caridade

Para ser eficaz, adaptado a cada situação, o serviço exige uma formação humana, profissional e espiritual. Ao conhecer as necessidades dos Pobres, e especialmente as de todos os “deixados por conta” do mundo em constantes transformações, a Companhia tem a preocupação de que as Filhas da Caridade adquiram todas as qualificações indispensáveis aos serviços diversificados que devem assumir: formação para a vida de convivência, para o trabalho de grupo e para todas as colaborações necessárias aos diversos serviços; formação sanitária e social; formação para o ensino e a educação; formação catequética e pastoral; formação para vida missionária, pelo estudo da língua e da cultura do país aonde foram enviadas...


Assim, as Filhas da Caridade estão conscientes da necessidade de uma formação inicial e permanente e de constantes atualizações, para serem sempre capazes de “deixar Deus para Deus”. São Vicente de Paulo alertava sobre o perfil das Filhas da Caridade: “serem mulheres totalmente serviçais, competentes e alegres, é um dever de justiça para com nossos senhores e mestres, os Pobres”.

FV - Ramos: 04 SSVP




SOCIEDADE DE SÃO VICENTE DE PAULO

4.1. Sociedade de São Vicente de Paulo: uma intuição profética

“A questão que divide os homens de hoje não é mais uma questão de moldes políticos, é uma questão social; é saber quem leva vantagem: o espírito de egoísmo ou o espírito de sacrifício; se a sociedade é uma grande exploração em proveito dos mais fortes ou é um somatório de esforços de cada um para o bem de todos e, sobretudo, para a proteção dos fracos. Há muitos homens que possuem muitos bens e querem ter mais ainda, há muito maior número de outros que não têm bastante, que nada possuem e querem tirar dos outros, se nada lhes derem. Entre estas duas classes de homens, uma luta se prepara, e esta luta ameaça ser terrível: de um lado, o poder do ouro; do outro, o poder do desespero. Entre estes dois exércitos inimigos, é preciso que nos coloquemos intermediários como meio deles a fim de impedir ou, pelos menos, de amortecer o choque. E nossa idade de jovens, nossa condição nos torna mais fácil este papel de mediadores que nosso título de cristão nos torna obrigatório. Eis a possível utilidade de nossa Sociedade de São Vicente de Paulo”.


Se não se chegou até o fim desta citação, poder-se-ia perguntar que pensador contemporâneo é seu autor. Ela procede, na realidade, do coração generoso e da inteligência intuitiva de um jovem, Antônio Frederico Ozanam, que, desde 1836, teve esta visão profética, vaticinando os grandes conflitos sociais e, transpondo a escala planetária, as tensões entre o terceiro mundo e o mundo industrializado.

4.2. Do sonho de Antônio Frederico Ozanam à realidade

Pressentindo que as relações humanas arriscam-se, cada vez mais, a se concentrar em relações de força, ele tinha sonhado, romanticamente, “que todos os jovens se unissem, de coração e espírito, a alguma obra caritativa...”.


Em 23 de abril de 1833 , o sonho tornava-se realidade com a reunião da primeira “Conferência da Caridade”, colocada sob o patrocínio de São Vicente de Paulo e que agrupava, ao redor de Emmanuel Bailly, mais cinco estudantes .

4.3. Sociedade de São Vicente de Paulo: expectativa de um progresso contínuo

A Sociedade de São Vicente de Paulo, de que Antônio Frederico Ozanam gostava de relembrar os “humildes começos”, devia conhecer um fulgurante impulso na França, na Europa e no mundo. Em 1860, já contava com duas mil e quinhentas Conferências e reunia mais de cinqüenta mil membros.

Após um período particularmente difícil, durante o Segundo Império , que via na Sociedade de São Vicente de Paulo uma associação que escapava, às vezes, à autoridade, a marcha para a frente recomeça irresistivelmente no dia seguinte ao conflito franco-prussiano, em 1870.

Foi, deste modo, que, às vésperas da primeira guerra mundial, o número das Conferências se elevava a oito mil e os membros, a cento e trinta e três mil.
Em 1933, ano do centenário, doze mil Conferências agrupavam mais de duzentos mil membros, enquanto que, em 1983, cento e cinqüenta anos depois da fundação, o número de Vicentinos atingia setecentos e cinqüenta mil, o das Conferências, trinta e oito mil e quinhentas e o dos países de implantação, cento e sete.

Em 1995, o recenseamento aponta oitocentos e setenta e cinco mil membros, distribuídos em quarenta e seis mil e seiscentas Conferências em cento e trinta países dos cinco continentes.
Os grupos, em sua maioria mistos, compostos de homens e mulheres, rapazes e moças, adolescentes e crianças, funcionam no plano das paróquias urbanas e rurais, dos bairros, dos grandes conjuntos, dos estabelecimentos escolares ou universitários, de associações profissionais ou culturais.

4.4. Sociedade de São Vicente de Paulo: uma fraternidade universal

Deixemos para outro momento a história e os algarismos para abordar o essencial, isto é, o espírito, os objetivos e os métodos da Sociedade de São Vicente de Paulo.

A Sociedade de São Vicente de Paulo, uma das mais antigas obras caritativas, sociais e humanitárias, apresenta-se hoje, como um vasto movimento internacional de apostolado caritativo e de ação social: graças à comunhão espiritual e à formação humana de seus membros, quer dar testemunho do amor fraterno do Cristo junto aos mais pobres. Procura com eles e com os outros, ajudar os Pobres a vencer a miséria sob suas múltiplas formas.
Dirige-se, em todas as nações do mundo, aos homens, às mulheres, aos jovens, de todos os meios e de todas as condições, que queiram encarnar sua fé no dom de si, comunicando, ao redor deles, sua esperança e sua alegria.

Desde as origens, a aspiração ao universal foi afirmada, de acordo com o voto entusiasta de Antônio Frederico Ozanam: “Queria reunir o mundo inteiro em uma rede de caridade”. Decidindo, a 17 de fevereiro de 1835, no fim de uma acalorada discussão, às vezes muito viva, que se havia estendido durante várias semanas, que a Conferência inicial se fracionaria em diversas secções, os membros da Sociedade nascente manifestaram sua vontade de ver seu movimento emigrar fora dos limites de sua paróquia, de sua cidade, de seu país, até mesmo de seu continente, para se implantar em todos os cantos do mundo.

A exemplo da própria Igreja, a riqueza desta dinâmica associação de cristãos fervorosos devia residir, no futuro, em sua diversidade. Sua unidade devia se forjar no pluralismo e na diferença.

4.5. Uma busca espiritual

Se Antônio Frederico Ozanam e seus companheiros tiveram preocupações humanas e sociais notáveis, ao estabelecer a sociedade de São Vicente de Paulo, se sua preocupação permanente foi a de remediar as durezas de seu tempo, não sentiram menos a urgência e a necessidade de uma formação espiritual sólida como fundamento insubstituível de sua vocação e de sua missão.

O harmonioso equilíbrio entre oração e ação, que São Vicente de Paulo realiza tão perfeitamente, foi por eles percebido como a constante do compromisso vicentino. Este extrai de uma vida de fé sua inspiração, seu vigor, sua fidelidade.
Alguns da Sociedade, aprofundando sua conduta espiritual, chegam a doar-se a si mesmos em uma vocação religiosa, diaconal ou sacerdotal. Cada ano, mulheres e homens jovens das Conferências fazem esta opção radical a serviço da Igreja.

4.6. Um compromisso pela justiça social

“Não há caridade que não seja acompanhada de justiça”, proclamava São Vicente de Paulo em meio do “Grande Século”, o século XVII, cujo mérito não dissimulava nem a seus olhos nem a seu coração as durezas de seu tempo.
Na mesma linha de pensamento, Antônio Frederico Ozanam, que desejava “que a caridade faça o que a justiça sozinha não poderia fazer”, sublinhava as insuficiências desta, cujo caráter impessoal necessita ser completado e humanizado pela gratuidade e pela delicadeza da benevolência: “a ordem da sociedade repousa sobre duas virtudes: justiça e caridade”.

Mas a justiça requer muito amor; pois é preciso amar muito à pessoa humana, respeitar seu direito que limita nosso direito e sua liberdade que tolhe nossa liberdade! Entretanto, a justiça tem seus limites; a caridade não os conhece.

Foi esta exigência que inspirou, nos anos 1930, a Emílio Romanet, membro de uma Conferência de Grenoble, a idéia revolucionária dos abonos familiares.
Fiel à sua vocação vicentina, tal como foi definida, acima, por Antônio Frederico Ozanam, ele havia compreendido que não havia caridade digna deste nome, sem uma autêntica diligência para uma maior eqüidade.

Foi o que nos lembrou o Concílio Vaticano II quando afirmou: “Satisfaçam-se, em primeiro lugar, as exigências da justiça, para que não se dê como caridade o que já é devido a título de justiça” .

Além disso, a Sociedade de São Vicente de Paulo participa, dentro de suas possibilidades e de seus recursos humanos e materiais e em estreita colaboração com os poderes públicos ou com as comunidades locais, do esforço comum para remediar as causas desses males sociais e desenvolver o plano institucional.

4.7. Sociedade de São Vicente de Paulo: um encontro pessoal com aqueles que sofrem

Muito embora esta luta pela justiça social pareça fundamental ao Vicentino, não encontra ele a plenitude de sua vocação senão no serviço pessoal, direto e permanente aos mais despojados, a exemplo de São Vicente de Paulo, que os membros da Conferência escolheram por Santo Patrono, esforçando-se por “realizar, como ele mesmo realizou, o tipo divino de Jesus Cristo”.
Irmã Rosalie Rendu , Filha da Caridade, que já se tornara célebre por uma ação tão eficaz como atenciosa, junto aos doentes do bairro de Mouffetard, em Paris, compreendeu o generoso e ardente ideal de Antônio Frederico Ozanam e de seus amigos.

Foi ela que, guiada pela inteligência do coração, os conduziu pelos caminhos da Caridade até aos deserdados, entre os quais eles fizeram a experiência do verdadeiro amor aos Pobres.
Paulo VI que tinha sido membro da Sociedade de São Vicente de Paulo, quando estudante, qualificava os Vicentinos de “amigos e servidores dos Pobres”.

4.8. Sociedade de São Vicente de Paulo: múltiplas atividades em constante adaptação

É nesta perspectiva que está orientada toda a ação da Sociedade de São Vicente de Paulo junto àqueles que o mundo fere, rejeita, isola, marginaliza:
a) Obras em favor da infância e da juventude;
b) Alfabetização, formação profissional técnica e agrícola, bolsas de estudos;
c) Iniciativas em favor das vítimas do desemprego e de suas famílias;
d) Criações e procuras de empregos para os Pobres;
e) Apoio moral e material aos isolados, às famílias em dificuldades;
f) Iniciativas em favor das mães solteiras e das mulheres abandonadas;
g) Atividades em favor da terceira idade: visitas em domicilio, ajuda econômica, clubes, casas de retiros;
h) Ação sanitária: visita aos doentes, aos deficientes físicos e mentais, cegos; tratamentos em domicílio; criação de hospitais, de dispensários, de centros médicos;
i) Assistência aos dependentes do álcool, das drogas, e às pessoas atingidas de doenças graves;
j) Visita às prisões, assistência pós-penal;
l) Reintegração social dos marginalizados;
m) Criação de projetos artesanais;
n) Ajuda aos andarilhos;
o) Acolhimento, orientação, ajuda e alfabetização dos migrantes, em harmonia com sua identidade, sua cultura e suas tradições;
p) Programas de habitação e de melhoramento da habitação;
q) Ajuda alimentar;
r) Projetos de desenvolvimento, sobretudo nos setores da agricultura, da criação de animais e da pesca;
s) Animação de mais de cinco mil parcerias entre equipes de países ricos e de países pobres;
t) Socorro aos refugiados, aos sem-pátria;
u) Campanhas de solidariedade;
v) Animação cultural, bibliotecas, áreas de lazer, gincanas;
x) Consultas jurídicas, administrativas e sociais;
z) Participação nas mais variadas pastorais das comunidades paroquiais.
O denominador comum de todas estas atividades e realizações é a preocupação de levar aos mais desorientados e aos mais deserdados a escuta, a amizade, o apoio espiritual, moral e material para os restabelecer em sua dignidade, lhes assegurar a promoção de sua pessoa, restituir sua dignidade, restituir-lhes a esperança e, se possível, a alegria de viver.

4.9. Sociedade de São Vicente de Paulo: uma associação de natureza eclesial com caráter leigo

Esta é uma das originalidades da Sociedade de São Vicente de Paulo. Com efeito, a inovação, audaciosa, na época de Antônio Frederico Ozanam e de seus companheiros, é, sem dúvida, a de ter desejado que os destinos de sua querida sociedade, de natureza eclesial, profundamente fiel à autoridade religiosa, fossem assegurados por leigos que se sentissem plenamente maiores e responsáveis. Cento e trinta anos antes do Concílio Vaticano II , estes jovens haviam pressentido a importância, senão a necessidade de um apostolado dos leigos, dinâmico e criativo, no seio do povo de Deus.

Oficialmente reconhecida no plano eclesial pelos Breves de 10 de janeiro e de 12 de agosto de 1845, de Gregório XVI, e confirmada pelos Papas que lhe sucederam, a Sociedade de São Vicente de Paulo sempre preservou, fielmente, seu caráter leigo, constante essencial de sua especificidade.

4.10. Sociedade de São Vicente de Paulo: a serviço da Igreja e da Caridade

Nascida no coração da Igreja, a Sociedade de São Vicente de Paulo está a serviço da caridade. Inspirada pela mensagem evangélica, atenta aos ensinamentos do Magistério, ela age, no seio da comunidade humana com a qual deve cooperar para fornecer um “melhor ser”, além de um “ser mais”.

A fé sem as obras não será uma fé morta? . É o que nos lembram, muito a propósito, os Padres conciliares, quando exortam “os cristãos, cidadãos de uma e outra cidade, a procurarem desempenhar fielmente suas tarefas terrestres, guiados pelo espírito do Evangelho. Afastam-se da verdade os que, sabendo que não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura, julgam, por conseguinte, poderem negligenciar os seus deveres terrestres, sem perceberem que estão mais obrigados a cumpri-los, por causa da própria fé, de acordo com a vocação à qual cada um foi chamado.

Não erram menos aqueles que pensam que podem entregar-se de tal maneira às atividades terrestres, como se elas fossem absolutamente alheias à vida religiosa, julgando que esta consiste somente nos atos de culto e no cumprimento de alguns deveres morais. Este divórcio entre a fé professada e a vida cotidiana de muitos, deve ser enumerado entre os erros mais graves do nosso tempo” .

Se a Igreja espera de nós um autêntico testemunho de fé e de espiritualidade, ela nos convida, igualmente, a estar plenamente presentes nesse mundo em profunda mutação, que sofre, luta e se busca.
A vocação da Sociedade de São Vicente de Paulo leva cada um de seus membros a inserir-se no contexto humano onde se travam os combates por um mundo melhor e mais justo. É o que motiva grande número dentre eles a se comprometer. Como o fez, pessoalmente, Antônio Frederico Ozanam, pela defesa da causa dos Pobres.

Um dos exemplos mais notáveis foi o de Giorgio La Pira, professor, idealizador da Democracia Cristã, na Itália, antigo Prefeito de Florença, que combateu, apaixonadamente, em favor dos humildes.
Conscientes dos múltiplos problemas, oriundos das diversas formas da pobreza espiritual, moral, cultural, física e material, os Vicentinos se dedicam, com lucidez, a restituir as esperanças àqueles que as perderam, levando a uma humanidade que se interroga e investiga este “suplemento da alma” que evocava o grande filósofo e espiritualista francês, Henri Bergson.

Graças a uma administração flexível, pouco dispendiosa, reduzida ao essencial, constituída, sobretudo de auxílios, meios humanos, técnicos e materiais, os vicentinos podem ser, rapidamente mobilizados, aproveitados e adaptados às circunstâncias de tempo e de lugar.
Além disso, o fato de existir como uma entidade local, na maior parte dos países do mundo, permite, igualmente, uma gestão tão racional, econômica e rigorosa quanto possível, em função do contexto local.

Esta organização e estes métodos fizeram suas demonstrações no centro dos dramas humanos e das catástrofes naturais que afligem, periodicamente, nosso mundo.

4.11. A vocação vicentina: um esforço de unidade de vida

Assim, a vocação vicentina dá, neste século XXI, de ciência, de tecnologia e de eficácia um humilde, mas autêntico testemunho de caridade fraterna e de abertura social.
Convida seus membros ao serviço, à partilha e ao dom total de si: ter, ser e saber, a fim de melhor responder ao apelo angustiado de tantos homens e mulheres deste tempo, abandonados por causa de um progresso que não beneficia os mais fracos.

Verdadeira escola social, em particular para os mais jovens, torna sensível, a partir do contato pessoal com os mais pobres, aos problemas mais vastos de nosso tempo. O gesto do amor individual, longe de encobrir a realidade, abre o coração e o espírito às dimensões mundiais do sofrimento, às exigências da justiça a aos imperativos da dignidade humana.

A vocação vicentina não é uma incrustação artificial. Plenamente assumida, ela conduz a uma unidade de vida fundamental, pondo em acordo pensamento, palavras e atos.
A harmonia entre fé e as obras ao serviço do próximo, tal é o ideal pacientemente perseguido, apesar de suas fraquezas ou de suas insuficiências, pelos herdeiros espirituais de São Vicente de Paulo e de Antônio Frederico Ozanam.

Longe das luzes da ribalta e dos artifícios mediáticos, mas resolutamente voltada para o futuro, a Sociedade de São Vicente de Paulo, guarda, no mais profundo de si mesma, este pensamento de seu fundador:

“A caridade jamais deve olhar para trás, mas continuamente para a frente, porque o número de seus benefícios passados é sempre muito pequeno e as misérias presentes e futuras, que deve aliviar, são infinitas”.

FV - Ramos: 05. ISVPG - SP

IRMÃS DE SÃO VICENTE DE PAULO DE GYSEGEM “SERVAS DOS POBRES”

3.1. Traços biográficos da Fundadora

Elisabeth Marie Eugénie Josèphe de Robiano nasceu em Bruxelas, Bélgica. Era a filha mais velha de Jean Joseph de Robiano e de Jeanne Marie Nor-bertine Josèphe de Limpens.
O sobrenome Robiano aparece na história pela primeira vez, em 776, em Milão, na Lombardia. Durante o reinado de Carlos V, Lancelot III de Robiano, deixou sua pátria pelas províncias belgas, onde se estabeleceu e fixou raízes.
Dos pais, Elizabeth de Robiano herdou uma profunda piedade, amor generoso para com seu povo, a formação de seu espírito e da sua consciência.

Aos 12 anos, Elizabeth de Robiano ficou órfã de pai e assim se tornou o apoio da mãe e dos seus irmãos. De 1786 a 1789, estudou no Colégio das Irmãs Ursulinas em Tournai. Aí, completou seus estudos de História Natural e História da Igreja.

A 14 de maio de 1799, em Malines, casou-se com Charles Pierre, Barão Le Candèle de Gysegem. Desta união nasceram três filhas.
Em pouco tempo, a Caridade de Elizabeth Robiano espalhou-se em toda Gysegem. Os Pobres, os seus prediletos, a chamavam "a boa e benfazeja senhora"; visitava sempre os doentes e os Pobres em suas próprias casas.
Em 1812, o marido de Elizabeth de Robiano, para facilitar os trabalhos da esposa no serviço aos doentes, fundou um hospital para socorrer os Pobres e enfermos e, mais tarde, um lar para idosos desamparados, mas nenhum destes projetos foi avante.

A Elizabeth Robiano, Deus lhe reservava outros caminhos. Sua predileção pela Igreja de Deus e por seus ministros era contagiante.
Sua coragem apostólica não foi feita de ações brilhantes, de bravuras, de audácias peculiares, mas ela inseriu-se numa obra de redenção, num mistério de sofrimento, baseada na renúncia e na ascese. Quando a fé corajosa e forte é traduzida em atos, Deus sempre está presente.

Tinha grande influência nos meios políticos. Ela foi a chave da resistência belga por ocasião da invasão do Rei Guilherme I de Orange, quando a Bélgica foi anexada à Holanda, na formação do reino unido dos Países Baixos.
Embora Elizabeth de Robiano vivesse no seu momento histórico, previu as novas exigências e criou estruturas mais condizentes com o desenrolar dos acontecimentos, apesar de que, naquela época, a mulher estava condicionada por preconceitos sociais.

Ela os rompeu, com surpreendente audácia, e, numa incrível aventura de amor a Deus e ao próximo, lançou-se, abertamente, em defesa dos Pobres e dos abandonados.

De 1828 a 1837, Elizabeth Robiano atravessou um período de luto na famí-lia, aceito com verdadeira resignação cristã. Morreram suas filhas Otávia e Pauli-na, sua mãe e seu esposo, o colaborador discreto e generoso de seu apostolado. A estes sofrimentos, juntaram-se muitos outros, inclusive a perda de toda a sua fortuna e de seus bens.

Elizabeth de Robiano possuía uma personalidade marcante e uma fé pro-funda. Sua correspondência com os parentes, os amigos, os sacerdotes e, sobretudo a Congregação por ela fundada são testemunhas disso.
Elisabeth tinha formação humana e cristã que a fazia ser uma mulher de discernimento e visão de futuro. Quando sentiu que a Congregação crescia e que as Irmãs iam assumindo os trabalhos de supervisão, animação da vida da congregação e dos trabalhos sociais, ela foi se afastando, porém sem interferir e acompanhando as Irmãs em suas orações, preocupações e através de correspondência dando apoio e sendo presença mesmo de longe.
Na medida em que iam surgindo novas formas de pobreza e necessidades da época, ela acompanhava, rezava, mas não interferia. Sempre colocava a Congregação sob a proteção do Bom Deus e de São Vicente de Paulo.

Percebia que, muitas vezes, nem tudo era como queria, mas respeitava e confiava na graça de Deus, mostrando fidelidade à sua vontade, semelhante ao jeito de ser de São Vicente de Paulo, que também acreditava na Divina Providência e na ação de Deus nas pessoas.

As atitudes de Elisabeth Robiano, no final de sua vida, eram as de uma mulher que soube viver os propósitos feitos a Deus, ou seja, foi fiel aos projetos de Deus que tornara seus.

Por ser uma mulher de coragem e visão, logo cedo sentiu que Deus ia lhe pedir mais. Não foi a consagração através da Vida Religiosa, mas sim uma consa-gração de sua vida ao bem da família. Consagrou-se a Deus de maneira muito especial, assumindo sua família de sangue e sua família religiosa com grande preocupação à vida espiritual das Irmãs e a manutenção material em todas as e-tapas. Era assim também que cuidava dos Pobres.

Elisabeth vivia uma mística, ou melhor, um compromisso com Deus de ma-neira particular e muito pessoal: "Viver cada dia como se fosse o último de sua vida".

A Congregação teve de Deus a graça de ter tido como Fundadora essa mu-lher que possuía a experiência de ter sido esposa, mãe e avó, adquirindo uma capacidade de compreender melhor a complexidade da vida e os conflitos internos de uma família.

Elizabeth demonstrou, na prática, espírito de pobreza e desapego; era cora-josa e submissa à vontade de Deus, sensível à situação dos Pobres; soube ler nos acontecimentos a vontade de Deus, sendo criativa em dar respostas às necessidades que se manifestavam.

Em 1840 deixou o Castelo de Gysegem passando a morar em Postel com sua filha Elisa. Morreu em Tervuren, aos 8 de setembro de 1864.

3.2. Fundamentos da Congregação

Conforme foi explicado acima, Elizabeth de Robiano e seu marido tentaram fundar um hospital e um asilo, porque a realidade do Pobre abriu o coração de Elizabeth Robiano, traduzindo-se em gestos.

Naquela ocasião, achava-se como refugiado em casa de Elizabeth Robiano o Bispo de Brouggie. Inspirado por Deus, aconselhou Elizabeth Robiano a abrir uma escola para os Pobres da região. Este raio de luz penetrou no coração de Elizabeth de Robiano. Era o momento de Deus.

Na cidade de Moorslede, Bélgica, conseguiu, através do pároco local e da Irmã Bárbara, duas jovens para dirigir uma escola que acabara de fundar. A 21 de janeiro de 1818 foi fundada a primeira escola, que recebeu o nome de "Casa das Fiandeiras" ou na língua do lugar, "spinhuis". Esta escola se tornou também a primeira Comunidade da Congregação das Irmãs de São Vicente de Paulo de Gysegem "Servas dos Pobres".

Nessa escola nascente as alunas passaram a aprender, juntamente com os princípios de leitura, da escrita e do cálculo, um ensino religioso, e aprendiam a "fiar", de onde o nome "casa das fiandeiras".

Elizabeth de Robiano se preocupava com a promoção das crianças, pois eram muito pobres. Irmã Bárbara que recebera licença para ajudar na escola por um ano acabou ficando em Gysegem, definitivamente. Com o decorrer do tempo, cresceu o número de vocações e de escolas. Novas fundações enriqueceram a Igreja: hospitais, lar para idosos, orfanatos, creches, pensionatos.

Desde o início, a Congregação preocupava-se com a educação de crianças pobres, que não possuíam condições para desenvolver-se na sociedade.
Devido à situação da época, foram surgindo novas necessidades, tanto para crianças, mulheres, quanto para idosos. Surgiu a idéia de se inaugurarem es-colas privadas para auxiliar nos gastos com as obras de Caridade. Houve muitas oposições dos políticos liberais, mas mesmo assim em 1851 em Saint-Pauwels foi aberta uma escola particular, que ajudaria na criação de novas obras, tais como orfanatos, asilos e até mesmo, na construção de uma escola para rendeiras, o que aliviou as crises nas indústrias têxteis.

Portanto, as Servas dos Pobres sempre buscam alguma forma e com criati-vidade um jeito de promover os Pobres. As escolas têm este objetivo, ajudar nos trabalhos promocionais. É o que São Vicente faria hoje: envolver aqueles que têm mais posses para a ajudarem aqueles que não as têm.

Elizabeth de Robiano, ao fundar a Congregação, colocou-a sob a proteção de São Vicente de Paulo e queria que as Irmãs vivessem de acordo com o espírito de São Vicente de Paulo. Tanto é que as primeiras Constituições foram baseadas nas Regras das Filhas da Caridade. Quem ajudou Elizabeth na elaboração das primeiras Constituições foi o Padre Vicente Lemaitre, jesuíta. Elizabeth de Robiano fundou a Congregação, mas nunca foi religiosa.

3.3. Carisma fundacional da Congregação

As Irmãs de São Vicente de Paulo de Gysegem "Servas dos Pobres", Deus as chamou para continuar na sua Igreja a obra da salvação de Cristo, perpetuando no mundo da humanidade de hoje esta página do Evangelho: "Naquela ocasião, Jesus havia curado a muitos de suas doenças, moléstias e espíritos malignos e proporcionando a vista a muitos cegos. Os cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são purificados e surdos ouvem, mortos ressuscitam e aos Pobres se anuncia a Boa Nova".
Este mistério de Cristo, enviado aos Pobres para lhes manifestar o amor de Deus Trinitário, as Irmãs de São Vicente de Paulo de Gysegem o tornam presente por uma forma de vida reconhecida e aprovada pela Igreja, forma de vida que o expressa e prolonga. Possuem a consciência do que recebem e vivem e, por isso reconhecem este Dom do Espírito dado à Congregação, a serviço da Igreja desde sua fundação .

3.4. Espírito da Congregação

O espírito da Congregação - Humildade, Caridade, Simplicidade, - foi colo-cado pela fundadora, sob o patrocínio de São Vicente de Paulo.
Elizabeth de Robiano recomendou às primeiras Irmãs: "fazer tudo com hu-mildade, simplicidade e caridade, estas três virtudes devem ser a marca distintiva, o espírito próprio das Irmãs de Gysegem ".

3.5. Objetivo da Congregação

As Irmãs de São Vicente de Paulo são chamadas por Deus para louvar a Jesus Cristo como fonte e modelo de toda a Caridade, servindo-o corporal e espiritualmente, na pessoa dos Pobres. "É aos Pobres que precisamos devolver o amor com o qual Deus nos ama” . A Constituição atual diz: "Nossa herança são os Pobres! Que felicidade! Fazer o que o Filho de Deus veio fazer no mundo!” .
A Congregação das Irmãs de São Vicente de Paulo de Gysegem Servas dos Pobres é um instituto apostólico por vocação, foi fundado para o "serviço dos Pobres". As Irmãs são consagradas e enviadas para servi-los espiritual e corporalmente. Há também grande preocupação em "preferir o serviço dos Pobres a todas as coisas” .

3.6. Missão e Evangelização

A identidade das Irmãs de São Vicente de Paulo de Gysegem não é outra, senão a identidade de Cristo. As Irmãs devem ser como ele, porque, por vocação, são chamadas a serem continuadoras da missão de Jesus Cristo.
Como membros do Corpo Místico, encarnam a Igreja, desejosas de se entregar à radicalidade das Bem-Aventuranças . Na vida, seus membros são um sinal de disponibilidade para Deus, para a Igreja, para os irmãos. Testemunham ao mundo o valor da oração como alma de todo o apostolado e fonte de inspiração para a vida missionária.
Quando Cristo se apresentou ao seu povo na sinagoga de Nazaré, ele mesmo ligou a idéia de missão à evangelização: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu e enviou-me para evangelizar os Pobres”.

3.7. As Missões

Quando o Papa Leão XIII, com seu espírito de apóstolo de Roma, tomou conhecimento dos males que flagelavam toda a humanidade e fez ressoar sua voz insistente, suscitando religiosos para evangelizar o mundo com os ensinamentos da doutrina cristã, sua voz de Pastor da Igreja universal também foi ouvida na Bélgica.

Em maio de 1896, sete Irmãs belgas partiram para o Brasil e se instalaram como missionárias em Olinda. Essas missionárias participaram intensamente da vida do povo pernambucano.

Em 1930, mais um grupo de Irmãs belgas rumou para o Congo, África, com o mesmo objetivo de atender os pobres e necessitados. No ano de 1980, a província do Brasil enviou duas Irmãs brasileiras para ajudar nos trabalhos missionários no Congo.

Em 1987, começou a missão no norte de Camarões; em 1995 foram para a Argentina, periferia de Buenos Aires; em 1996, para o Paraguai; por último Uruguai, em 1998.

3.8. As Irmãs Vicentinas no Brasil

Depois de Olinda, as Irmãs Vicentinas, em 1898, foram convidadas por Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque para virem para São Paulo, Capital, para cuidarem de crianças órfãs no educandário da Casa Pia de São Vicente de Paulo.

Esta obra teve um surto surpreendente. Afluíram muitas vocações e as Ir-mãs foram chamadas para trabalharem junto aos mais Pobres não só em São Paulo, mas também no interior de São Paulo e em outros Estados.
Atualmente as Irmãs Vicentinas no Brasil formam duas Províncias. Sudeste: comunidades distribuídas pelos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Sergipe, Alagoas, Bahia, na Argentina, e no Uruguai; e Província Centro-Oeste: Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Paraguai.
Atentas às necessidades dos tempos, a exemplo de sua Fundadora, as Vi-centinas têm suas comunidades abertas a todos os que, de uma ou outra forma, delas necessitem.

Na medida do possível a Congregação, célula da Igreja, procura dinamizar o carisma de seus membros dentro do espírito próprio de Humildade, Simplicidade e Caridade, através de uma pastoral bem diversificada: nas escolas, nos lares para crianças, nos lares para idosos, nas paróquias, nos hospitais, no serviço social, enfim onde houver um necessitado, lá estará uma Vicentina atendendo.

Atualmente as Irmãs possuem as seguintes obras:

1. Colégios: Colégio Nossa Senhora da Penha, São Paulo; Colégio Santo Antônio de Lisboa no Tatuapé, São Paulo; Colégio João e Raphaela Passalacqua, no bairro Bela Vista, São Paulo; Colégios São Vicente de Paulo e Francisco Telles, em Jundiaí.
Além desses trabalhos, as Irmãs se dedicam ao ensino em Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul. Neste segmento, na área da educação, há um grande esforço de fazer a caminhada da "educação libertadora" com pais, professores, alunos e funcionários.

2. Educandários: As Irmãs trabalham junto às crianças e adolescentes e suas famílias no Estado de São Paulo: na Capital, em Pindamonhangaba, Laranjal Paulista, Jundiaí.
No Estado de Sergipe: Aquidabã, Canindé de São Francisco; e Rio de Ja-neiro, na Capital. No Distrito Federal, na periferia.
Neste campo, já existe uma boa caminhada e um grande entrosamento com a Pastoral do Menor, a fim de que o objetivo da formação global da criança possa acontecer.

3. Lares para idosos: As Irmãs de São Vicente de Paulo de Gysegem "Servas dos Pobres" trabalham na promoção do idoso em Jundiaí e Dois Córregos. Nesse campo também há um esforço em devolver ao idoso a sua dignidade humana.

4. Paróquias: Na pastoral paroquial as Irmãs desenvolvem seu trabalho conforme as necessidades locais. Trabalham junto aos jovens e às famílias e na formação de agentes de pastorais.

5. No campo da saúde, dedicam-se à prevenção, nos diversos trabalhos de inserção junto às populações mais carentes. Colaboram também na administração do Amparo Maternal, instituição pertencente à Arquidiocese de São Paulo e que tem por objetivo atender e acompanhar o período de gravidez, parto e pós-parto de mulheres carentes, muitas delas desprezadas pelos próprios familiares. Na Província Centro-Oeste, além da prevenção das doenças através de conscientização e palestras para as pessoas carentes que são realizadas por Irmãs que trabalham nesse meio, há também o trabalho em Postos de Saúde.

6. Serviço Social é uma constante e serviço que abrange todas as áreas em que atendem e, conforme os apelos da sociedade, procuram ajudar nas ações que fazem parte do carisma da Congregação.

FV - Ramos: 06 JMV

Juventude Mariana Vicentina
“Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos”. (Lc 1, 50-53).
Origem da Juventude Mariana Vicentina A história da Juventude Mariana Vicentina está intimamente ligada às aparições da Virgem Maria a Santa Catarina Labouré (Catarina Labouré nasceu na França no dia 2 de maio de 1806 e morreu no dia 31 de dezembro de 1876. Foi canonizada no dia 27 de julho de 1947), em 1830, na capela das Filhas da Caridade, em Paris, na França.
No dia 20 de junho de 1847, o Papa Pio IX conferiu indulgências especiais às associações de juventude confiadas às Filhas da Caridade, solicitando que em todas as escolas, instituições e obras da Companhia, se reunissem os jovens para receberem uma sólida formação cristã.
Em 25 de março de 1931, o Papa Pio XI solicitou a todos os párocos que formassem grupos da mesma associação em suas paróquias. Assim, hoje, completando mais de 150 anos de existência dentro da Igreja, a Juventude Mariana Vicentina procura trilhar seus objetivos dentro de uma perspectiva do serviço aos Pobres. Dela surgiram muitas vocações comprometidas com a vida cristã e comprometida com o compromisso do matrimonio, da vida do presbiterato e da vida consagrada.